quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Porquê sempre Herrera?

Héctor Herrera começou o mês de novembro em grande forma, ao ser eleito o MVP pelos leitores d'O Tribunal do Dragão nos dois primeiros jogos (Leipzig e Belenenses), algo que o colocou desde logo na pole para vencer «Os Pentas» deste mês. Mas como vem sendo hábito no percurso de Herrera no FC Porto, após um par de boas exibições vem uma quebra de rendimento e, com ela, as eternas questões sobre a sua utilização na equipa principal.

O comentário mais comum entre os adeptos do FC Porto é o de que Héctor Herrera «falha muitos passes». Hoje vamos ver se isso é, de facto, verdade, e chegar desde logo a uma conclusão: Herrera não só não falha «muitos passes» como é o jogador do FC Porto com maior eficácia de passe em todo o Campeonato.

Entre os atletas que disputaram pelo menos 400 minutos na I Liga até ao momento, Herrera é o 4º jogador com maior eficácia de todo o Campeonato, com acerto de 88% no passe. À sua frente só Fejsa (89,6%), William Carvalho (88,8%) e Mathieu (88,4%). É fácil perceber o porquê de estes jogadores dos rivais estarem à sua frente: tratam-se de dois médios defensivos e um central, que têm como missão distribuição curta e não pisar terrenos muito adiantados. Como curiosidade, no FC Porto seguem-se Danilo (87,6%), Corona (84,2%) e Alex Telles (83,2%).

Não, Herrera não falha muitos passes - falha menos até do que os colegas. Mas isso leva seguramente a outra crítica da massa adepta: «Só passa para trás e para o lado». Vamos ver se é verdade.

Mapa de desempenho de Herrera (dados Squawka)

Até ao momento, 63,1% dos passes de Herrera foram efetuados para a frente (267 passes). Quer isto dizer que 36,9% (156 no total) foram feitos para trás ou para o lado, sem progressão no meio-campo. Será esta percentagem boa ou má? Neste caso, há que comparar com outros jogadores do Campeonato.

Pizzi, do Benfica, foi um dos melhores jogadores da época passada e o melhor passador do Campeonato. Como estará a ser o seu desempenho esta temporada? A estatística diz que 66,2% dos passes de Pizzi foram efetuados para frente. Ou seja, a cada 100 passes, faz apenas mais 3 do que Herrera para a frente. E a sua eficácia de passe, de 84%, é inferior à de Herrera.

No Sporting temos Battaglia, com 85% de acerto no passe, e do qual 61,9% dos passes saem para a frente. Ou seja, praticamente a mesma percentagem de Herrera.

Quer isto dizer que não, Herrera não passa «só para trás ou para o lado». Está na mesma linha de desempenho dos médios dos candidatos ao título em Portugal. Já falámos da eficácia de passe, já falámos da progressão em campo... Mas falta falar da distância.

O passe médio de Herrera no Campeonato é de 17 metros. A mesma distância de Battaglia, mas inferior a Pizzi (20m). Mas aqui o maior termo de comparação deve ser com Óliver Torres, o 2º melhor médio do plantel (atrás de Danilo) mas que deixou de ser opção após Conceição ter apostado no esquema que «recuperou» Herrera - algo que não é justificação única, pois Sérgio Oliveira tem sido preferência para os grandes jogos.

Óliver, no Campeonato, tem 83% de eficácia no passe, mas 69% dos seus passes são efetuados para a frente. Ou seja, Herrera acerta mais passes do que Óliver, mas apesar de Herrera estar associado a um esquema de maior velocidade/verticalidade, e Óliver a um modelo de circulação, a verdade é que Óliver joga mais para a frente do que o mexicano. E há um detalhe muito importante: o passe médio de Óliver é de 22 metros. Ou seja, com Óliver em campo, o FC Porto ganha muito mais amplitude de jogo, enquanto com Herrera, embora a eficácia de passe seja maior, o raio de ação é mais curto. A isso também se deve o facto de Herrera correr mais com bola, ou seja, vai comendo metros no meio-campo, enquanto Óliver privilegia desde logo a distribuição. 

Mas não basta passar para a frente: é preciso saber se esse passe leva a alguma coisa. E aqui os dados saem novamente em defesa de Héctor Herrera, que cria 1,8 ocasiões de remate por jogo. Só Alex Telles, com 2,8, consegue melhor, mas há algo que justifica a vantagem do brasileiro: Alex Telles bate as bolas paradas e cria muitas situações dessa forma. Ou seja, em bola corrida, Herrera é o jogador do FC Porto que mais ocasiões de finalização cria no Campeonato. Sim, inclusive à frente de Brahimi (1,4). O segundo melhor é... Óliver Torres, com 1,5.

O que diz então a estatística? Que Herrera é o jogador com maior eficácia de passe no FC Porto; que não joga mais para trás do que os rivais; que é o principal criador de oportunidades do plantel em bola corrida. Por que é que joga com Sérgio Conceição? Porque oferece estas coisas à equipa.

Esta discussão deveria ter terminado a partir do momento em que o presidente do FC Porto disse ter recusado 30 milhões de euros por Herrera - e que tinha provas dessa recusa. Porque Herrera pode ser mais ou menos adorado pelos adeptos, mas numa coisa todos concordarão: não vale esse dinheiro. Se pensarmos nos grandes médios que o FC Porto teve nos últimos anos, desde Maniche a Lucho, de Raúl Meireles a João Moutinho, talvez não valha nem metade. E não é culpa dele que tenham recusado isso. Herrera é capitão porque é um profissional exemplar e respeitado por todos os colegas, mas a discussão sobre a sua valia para o 11 do FC Porto terminou no dia dessa recusa. 

Mas não joga por ser bom tipo e bom profissional. Joga pelos factos descritos nesta análise estatística, que não é o que os adeptos querem ou julgam ver: é o que se passa no relvado. O Tribunal do Dragão sempre opinou que o melhor FC Porto tinha que ter Óliver Torres no 11. Não tem tido, mas Herrera não tem sido, de todo, mais problema do que solução, bem pelo contrário. Talvez seja um post de defesa a Héctor Herrera, talvez seja meramente um aglomerado de factos. Mas vem aí um FC Porto x Benfica, e no último clássico aquele pontapé de canto de Herrera ficou atravessado na garganta de todos os adeptos. Héctor, eis uma boa oportunidade para a redenção.

18 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo. Excelente e interessante uso da estatística que permite introduzir objetividade a um debate que tem sido sempre subjetivo.

    Mas acredito que acima da estatística está a ideia de jogo.
    O ponto de partida de qualquer raciocínio futebolístico é a seguinte pergunta: como a nossa equipa pensa ganhar? (de acordo com os jogadores que tem e os jogadores que irá defrontar). Isso é a ideia de jogo (outros usem a palavra modelo de jogo ou estratégia de jogo).

    A esta pergunta Conceição tem uma resposta clara (nem todos treinadores do FC Porto tinham uma resposta clara a esta pergunta): a sua ideia de é apostar na verticalidade e mentalidade agressiva para vencer.

É uma ideia que pede recuperação rápida da bola, jogo direto e perfis de jogadores versáteis e sólidos fisicamente. Há aquela ideia que é um futebol pobre, pouco trabalhado, mas não acredito. É uma ideia exigente que pede mais a equipa quando não tem a bola do que quando tem a bola. Requer mais organização e trabalho, do que talento (sejamos lúcido, isso é a imagem do nosso plantel, já não temos Falcao, Hulk, James e Moutinho). Aos olhos dos espetadores é uma ideia menos sedutora. Alguns adeptos classificam de mau futebol. Mas a verdade é que até agora tem sido uma excelente estratégia que permite um rendimento claramente acima do que era esperado (e do que se poderia esperar de uma equipa sem reforços que não ganha nada desde há 3 anos) e este ano o FC Porto não pode não ganhar.

    A partir daí escolhe-se as peças que vão dar vida a essa ideia, ou seja jogadores versáteis, com boas noções táticas, impacto fisico e que jogam bem sem bola e com bola. Segundo essa grelha de leitura Herrera é um jogador perfeito. Versátil, sabe atacar e defender, móvel mas também com um certo impacto fisico, boa leitura do jogo, bom com bola e sem bola, bom no passe, bom no remate. Não é o mais elegante, não é o mais tecnicista, não é excelente em nada, mas é razoável/bom em tudo. Só isso explica o porque Herrera. As estatísticas confirmam esse escolha e os resultados ainda mais.

    Relativamente a Oliver, aprecio o jogador, é esteticamente um futebol e tipo de jogador que me encanta (como a maioria de nos todos). Mas não se enquadra com a ideia de jogo de Conceição e é hoje uma opção que fica atras de Herrera, Oliveira e até André André. Ponto final. Triste? Sim. Mas Conceição mostrou saber o que está a fazer.

    Mas agora pergunto: porque contratamos Oliver 20M€ se é um jogador que não se enquadra com a nossa ideia de jogo? Porque no FC Porto contratamos primeiro e depois desenhamos a ideia de jogo? Como num clube profissional que venceu títulos internacionais graças a qualidade do seu scouting e valorização de talentos não há planificação desportiva? Não é esse o papel de um Diretor Desportivo … definir a ideia de jogo e desenhar um plano de recrutamento/formação para ter a curto/medio/longo prazo jogadores e treinadores que se enquadram perfeitamente com essa ideia de jogo? 

Luis Gonçalves (e a SAD) são profissionais ao serviço do clube. Não estão dentro do campo mas o trabalho deles impacta seriamente os nosso resultados porque tudo começa daí e pau que nasce torto …

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  2. "Herrera é aquele jogador que num passe de dificuldade de 98% acerta todas as vezes mas num passe de 2% de dificuldade falha mais de metade." Mesmo assim, todos os meus elogios vão para ele. Que continue a mostrar o jogador que é nestes jogos difíceis que se avizinham.

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  3. Fui e sempre serei um crítico da não utilização de Óliver! Ainda mais o serei, quando vejo que de opção não utilizada no banco (em detrimento de André André e até mesmo Sérgio Oliveira) passa para a bancada como neste último jogo com o Aves. Quando em comparação com Óliver, sendo que o principal motivo para a integração de Herrera no seu lugar é a segurança que este empresta à equipa, gostava também de ver uma análise à quantidade de bolas que Herrera perde. Gostava de ver nos números destas análises estatísticas, o tempo de reação e execução de Herrera. Das coisas que mais me irrita em Herrera é exatamente a lentidão na execução. Quer a equipa esteja a vencer ou a perder, Herrera parece estar sempre sobre o efeito de Xanax ou algum genérico equivalente. Irrita, enerva, e não é o que a equipa precisa a maior parte das vezes. Um passe no momento certo para o sítio certo e para o jogador certo é mais importante do que 5 ou 6 muito eficazes para lado nenhum.
    Sérgio Conceição tem sido bastante competente na recuperação de jogadores como nos casos de Herrera, de Marega, de Abouba... Tudo jogadores que se duvidava que vingariam este ano no FC Porto, cada um pelas sua próprias circunstâncias. O não saber aproveitar Óliver tem sido, para mim, a maior desilusão neste Sérgio Conceição.
    Os resultados da equipa têm sido positivos até ao momento, mas as exibições da têm vindo a decair nos últimos tempos. Esperemos que a equipa responda já esta sexta-feira, com ou sem Óliver!

    Pinto Não da Costa.
    Sigam o nosso blog portista PéEmRisco em https://peemrisco.wordpress.com/

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  4. Uma pergunta. Além do aquawka, onde se podem obter estatisticas relativas a jogadores e equipas da Liga portuguesa?

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  5. Cada um lê a estatistica como quer ou lhe dá jeito...
    A minha pergunta é: quantos dos passes errados em "zonas perigosas" causaram "calafrios" à equipa??
    Quantas bolas ele defende com os "olhos"??!!

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  6. Falta estaleca ao Herrera, falta-lhe inteligência para ser um bom jogador.

    Pedro Esteves

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  7. E que tal remates? Acho que a maior lacuna do Oliver é não ter meia distância. Herrera é um dos poucos que pode alvejar a baliza de fora da área.

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    1. Acha que Frasco rematava bem?
      Acha que Herrera, por mais mil anos que viva, seria capaz de, na meia direita, à entrada da área, com mais de meia dúzia de alemães à sua frente, conseguiria colocar a bola, com travões às quatro rodas e ABS, em Juary, que estava na linha de fundo, perto do poste de PfafF.
      Então reveja o famoso calcanhar de Madjer e descubra a diferença entre ter Herrera ou Óliver como construtor de jogo.

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    2. Por acaso o Herrera é dos poucos capazes desses passes. O Oliver é que não o é, por isso em 36 jogos só fez 3 assistências. Quer mais justificações para nem no banco se sentar, seja no Porto, no Salamanca ou no Atletico de Madrid?

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  8. Excelente trabalho de análise. Temos que enviar para o MST a ver se ele deixa de criticar o esforçado atleta no pasquim onde escreve semanalmente. Abraço

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  9. Sigo muito este blog, mas confesso que me preocupa essa fixação pelo herrera e por defende-lo
    Para quem já teve médios e não muito distante, como moutinho, lucho, alenitechev, guarin, beluschi,maniche...dizer tão bem deste senhor, não entendo
    Reconheço que está bem, mas muito longe de ser um elemento decisivo e fulcral, muito menos capitão........pressiona bem, aparece bem na frente, mas tem dificuldades obvias quando é necessário meter velocidade e rapidez processos. Não digo que não deva ser titular, mas calma.....nunca será a ultima bolacha como aqui neste blog o fazem
    Desculpem opinião

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  10. e assim numeros sao numeros portanto..... o problrma entao esta nos outros, se herrera e assim tao bom?? o problerma esta nos companheiros, ou na equipa ou na estrategia ou entao quando a estrategia e ma herrera falha sera isso?? lembro me de juary que jogava 30 minutos a serio e dava cabo de uma equipa ate do bayern mas so jogava 30 minutos.~Imaginemos Deco no lugar de herrera ou maniche

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  11. Não sou nem fã dele mas está pelo menos ao nível do Meireles... também não sou o maior fã do Meireles :)

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  12. Herrera falha por vezes, mais em em zonas recuadas, e coloca a equipa em risco, mas do meio campo para a frente e estando em forma é o melhor médio da equipa. Oliver não tem estofo fisico nem capacidade para jogar no FCP. A mexer na bola é bom, mas só isso. Pressionado perde-a, empastela o jogo e passa ao lado ou para trás, e não tem capacidade de recuperação.

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  13. Bem sei que Herrera é esforçado e lutador, imagino perfeitamente que faça treinos abnegados e seja um profissional exemplar (não será por acaso que de Fonseca a lopetegui, de Peseiro a Conceição, a juntar ao seleccionador mexicano, nenhum abdicou de hector)...e também sei que para criticar já bastam os adversarios, dai o salutar trabalho de objectividade neste post.. Mas como disse alguém bum comentário acima, Às vezes (muitas vezes) parece que joga sob efeito de xanax ou equivalente. Nunca um jogador me despertou tantos mixed feelings, e o pior de tudo, o imperdoável para mim, foi a cara e o sorriso de quem fez merdete a seguir ao tal canto dramático do ano passado contra o,Benfica. É isso que fica atravessado, é o aparente desprendimento a seguir a um momebto que toda a gente no estádio pressentiu que tinha sido grave. E depois é isso, essa aura de pé frio que ele faz por que se lhe colem.. E desde que é capitão que não ganhamos nada, coincidência? Não sei.

    Prefiro mil vezes um Oliver sem capacidade de choque e bla bla,bla, que mete a bola onde quer e que pensa o jogo mais rápido, do que um gajo certinho e trabalhador que por mais eficácia estatística que apresente, emperra o jogo quando tem a bola. Just my 2 cents.

    Parabéns ao blog, continue o belo trabalho que bem precisámos. Mas não caia no erro de analisar números e estatísticas como se o campo de futebol fosse folha de Excel.

    EP

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  14. O FC Porto beneficiaria muito se jogasse em 4-3-3 com Danilo, Herrera e Óliver a compor o trio de meio-campo. O que Herrera tem de bom é que é um jogador que corre o jogo todo, aparece um todo o lado e dá muita consistência defensiva ao meio-campo. Faz mais ou menos o mesmo que Moutinho, com as devidas diferenças. O problema de Herrera é que não consegue fazer a diferença no ataque. Na seleção mexicana até faz uma boas jogadas e já marcou bons golos mas penso que no FC Porto a exigência é maior e neste patamar Herrera não acrescenta nada na frente, tendo até já pecado bastante. No último jogo contra o Aves viu-se, Herrera não fazia nada, tinha de ser o Danilo a pegar no jogo e a tentar empurrar a equipa para a frente.
    Por sue lado Óliver é um luxo a armar jogadas. Tem muita qualidade no passe e boa visão de jogo. Não é um jogador de pegar na bola e furar as defesas contrárias mas é um jogador que desequilibra, faz a diferença com os seus passes e vale vitórias.
    Se o Sérgio Conceição prefere meter o Sérgio Oliveira quando passa para o 4-3-3 só ele saberá o porquê, porque o Oliveira nem sequer tem qualidade para ser titular no FC Porto.

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  15. Desilusão completa com o analista deste blogue, que eu achava competente.
    Em futebol a competência mede-se com os olhos (saber ver futebol e saber distinguir um bom jogador, de um jogador banal e medíocre) e não com o lápis ou com os números.
    Em futebol a competência também se mede pela possibilidade de nos podermos socorrer da memória, sobre o que anteriormente vimos.
    Incrível como a maioria dos adeptos do FC Porto já esqueceram ou nunca entenderam o futebol que Sérgio Conceição, em tão pouco tempo, conseguiu construir na equipa nos dois primeiros meses, até Herrera entrar para a equipa.
    Nesses dois meses sem Herrera – excluindo o FC Porto-Besiktas porque, face ao anterior percurso, foi uma aberração de responsabilidade única de SC e foi um prenúncio do que ele se preparou para alterar, rumo ao abismo de NES – o futebol apresentado foi de elevada craveira, ao nível dos grandes êxitos do nosso orgulho e que nos permitiu voltar a sonhar.
    A equipa jogava em pressão muito alta, com a defesa subida, com uma posse de bola incomum, sem posições muito fixas, com muitos jogadores na zona da grande área adversária, com construção, em quantidade e elevada qualidade, de oportunidades de golo, com uma recuperação de bola quase instantânea e sufocante, que permitia considerarmos os nossos centrais, como centrais de levada categoria.
    Quem foi, de longe, o nosso melhor jogador nessa fase? ÓLIVER
    Para quem gostava, não só, do futebol de Pedroto, Artur Jorge, Carlos Alberto Silva, Oliveira e André Villas-Boas, mas também do Ajax de Rinus Michels e do Barcelona de Johan Cruijff e de Josep Guardiola, sabe, porque tem que saber, que Herrera, Max e Marega nunca poderiam jogar nas equipas desses treinadores.
    Sérgio Conceição, mostrou, nesses dois primeiros meses, que teria sucesso em prosseguir a peugada desses técnicos. Depois de conseguir, o que conseguiu nesses dois primeiros meses, o trabalho nem seria muito. Apenas teria que fazer o que todos esses, que referi, sempre fizeram:
    Manter esse futebol e aperfeiçoar cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais, sem nunca dele desistir.
    Foi assim que o FC Porto chegou aos patamares que chegou.
    Ao preferir imitar Lopetegui, Peseiro e Nuno Espírito Santo, abandonando o caminho inicial, Sérgio Conceição vai conduzir o FC Porto para o mesmo abismo, para a mesma mediocridade e para a mesma miséria dos anteriores quatros anos.
    O problema não são as batalhas ganhas, com Herrera, mas sim as guerras que iremos perder por continuarmos com Herrera. Os quatro anos anteriores não mentem. Herrera é um buraco negro, invisível para os mais “distraídos”, que foi a imagem de marca dessa miséria e dessa mediocridade, nos anos de Lopetegui, Peseiro e Nuno Espírito Santo.
    Não uso lápis, nem acredito em estatísticas generalizadas.
    Mas quando vejo o FC Porto jogar, o que vejo é um Herrera tecnicamente rudimentar e medíocre e tremendamente estúpido dentro do relvado. Herrera, só por vê-lo com a camisola e a braçadeira do meu FC Porto, provoca-me vómitos, e não me deixa esquecer os miseráveis quatro anos anteriores.
    Herrera titular e capitão é uma afronta a todos os que têm boa memória e que conseguem recordar construtores de jogo como Pavão, Custódio Pinto, Oliveira, Frasco, Octávio, Jaime Magalhães, André, Maniche, Deco, Alenichev, Moutinho, James, Belluschi e muitos outros, que não sendo tão geniais quanto estes, estavam, mesmo assim, numa outra galáxia, inalcançável para Herrera.
    Era desse tipo de jogadores que o êxito do nosso FC Porto dependia.
    Agora insistem em fazê-lo depender do perneta e zombie Herrera.
    (continua)

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  16. (continuação)
    Tem dado no que tem dado, vai dar no que todos já sabemos, que vai dar.
    Desde que o trouxeram, de novo para a ribalta, tem sido um plano inclinado, altamente escorregadio.
    E os seus colegas, que sem ele tinham passado de bestas a craques, com ele, estão a regredir para bestas novamente.
    Não há magia que dê talento a um jogador que o não tenha.
    Para os que usam lápis e acreditam nas estatísticas generalizadas, eu coloco as seguintes questões:
    - Nos dois primeiros meses, quantas vezes os adversários passaram a linha de meio campo, quantas vezes entraram na nossa grande área e quantas oportunidades criaram?
    - Nos quatro anos e meio, de Herrera, quantas vezes o vimos, à entrada da área adversária, pejada de jogadores contrários, conseguir meter a bola pelo buraco da agulha, com travões e abs às quatro rodas, para que não saia pela linha de fundo, e colocar um colega na cara do guarda-redes com a bola redondinha?
    Aqueles de que atrás falei, faziam isso com facilidade e qualidade e com muita regularidade.
    Qual o jogador do actual plantel que melhor se aproxima dessa qualidade?
    Obviamente, Óliver.
    Só com uma grande diferença, em desfavor de Óliver
    Os treinadores desses construtores de jogo, nunca os colocaram na órbita do trinco, como segundo médio defensivo.
    Sérgio Conceição, até hoje, sempre colocou Óliver na órbita do trinco, como segundo médio defensivo e nunca como um verdadeiro número 10. Nunca lhe deu a oportunidade de jogar na posição que concede ao Herrera e que é a que melhor se adequa às características e virtualidades de Óliver.
    Porquê? Porque a diferença, entre eles e para a equipa, seria tão obviamente melhor, que o Herrera teria que ir, finalmente, para o raio-que-o-parta.
    E tem que haver, na SAD, quem não queira e o não permita. Não há mais explicação para esta obsessão doentia e perdedora, à custa da realização dos nossos sonhos.
    Com Óliver como verdadeiro 10, tenho a convicção plena de que teríamos vencido em Alvalade com uma perna às costas.
    Ah! Mas o Herrera é titular do México e fez uma enorme Taça das Confederações!...
    E no Alemanha-México? Viram?
    Repararam bem nos três primeiros golos da Alemanha, quando os alemães aceleraram em transições rápidas? Por onde andava o TRINCO HERRERA (nos TRÊS golos)? Ah! Não repararam?
    Pois é, andava, em todos eles, muito para trás da bola, muito para trás do ataque e meio campo alemão, em passo de trote, enquanto colegas seus, avançados, passavam por ele como loucos tentando corrigir o inevitável.
    Um autêntico BURACO NEGRO, um trinto e um médio FAZ DE CONTA, um autêntico zombie, que foi pedra fundamental na destruição desse nosso futebol de marca, cuja qualidade nos garantiu enormes êxitos durante muitos e bons anos.
    Nestes últimos 35 anos, a única vantagem do Benfica, tem sido o sentido crítico dos seus adeptos. O Benfica já teve muitos pernetas titulares, mas nunca lá estiveram mais do que um ano. Herrera, no Benfica, só lá estaria um ano.
    No FC Porto, vai para o quinto ano, como capitão e como, novamente, titular insubstituível.
    Ainda por cima, aplaudido!
    Que nuvens negras e hediondas eu vejo ao longe!
    Não suporto mais, CHEGA!

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