segunda-feira, 10 de abril de 2017

À lei de Brahimi

Estava difícil. Depois de dois 0x0 altamente penalizadores contra o Belenenses, tudo fazia crer que a probabilidade de levar um murro de Samaris era bem mais alta do que o FC Porto acertar com a baliza dos do Restelo. Felizmente, e novamente com uma bola parada a desbloquear uma exibição imprópria para quem quer manter-se na luta até ao final, a vitória acabou por chegar e acontecer com naturalidade, mantendo o FC Porto nesta luta ingrata de ter que estar de ouvidos postos em campos adversários. 

Segue-se uma jornada em que o Benfica recebe um dos seus clientes favoritos na Luz, antes do FC Porto ter a sempre difícil deslocação a Braga. Se quisermos colocar as esperanças no Sporting, primeiro há que superar esta barreira. 




Secar o adversário (+) - Pensem nos golos sofridos pelo FC Porto ao longo da época e notem algo em comum: todos os golos são consentidos com remates já dentro da grande área. O FC Porto é uma equipa muito pouco exposta à meia distância dos adversários. E quando, além de não ceder grande espaço à entrada da grande área, ainda consegue controlar a profundidade nas costas da defesa, estamos perante um belo trabalho defensivo.

O Belenenses não é nenhum exemplo de equipa que ataque categoricamente (é na verdade das piores da Liga), mas limitar o adversário a dois únicos toques na grande área ao longo de 90 minutos, mantendo sempre o Belenenses longe dos últimos 20 metros, é sempre um fator de destaque. Um exemplo de como defender bem sem nunca ter que assumir uma estratégia defensiva.

Brahimi (+) - Se não tivesse sido reintroduzido na equipa, provavelmente a luta pelo título já seria uma questão apenas para 2017-18. Joga numa realidade à parte da equipa, o único capaz de inventar coisas sozinho com bola. Abriu e fechou a vitória através de bolas paradas, mas uma vez mais, foi o jogador com mais faltas arrancadas, dribles eficazes e duelos ganhos ao longo da partida. Está num grande momento e custa imaginar que um jogador com o seu virtuosismo possa terminar uma terceira época no FC Porto sem meter as mãos num troféu. Ainda vamos a tempo de mudar isso.


Outros destaques (+) - Danilo de volta à forma que nos habituou - em forma de parede à frente da defesa. Ganhou todos os lances pelo ar, só perdeu uma disputa de bola e ainda contribuiu com um golo. Maxi Pereira e Alex Telles, sobretudo na primeira parte, foram responsáveis pelos poucos momentos em que o FC Porto conseguiu criar o desequilíbrio através da manobra coletiva da equipa. Soares voltou aos golos e a forma como assentou no 4x3x3 reforça o que já se sabia: quando está firme no eixo do ataque, pronto a receber a bola em vez de tentar ser o que não é (não tentou nenhuma situação de 1x1 desta vez) e tentar desdobrar-se pelos flancos, pode fazer a diferença. Palavra ainda para a bela entrada de Corona, novamente com uma exibição que irrita: ora é titular para andar desaparecido, ora salta do banco para mudar por completo o jogo. Assim também se torna difícil para o treinador apostar nele: saber que é capaz de render mais em 10 ou 15 minutos saído do banco do que em 70 como titular. 




Demasiado recuados (-) - O FC Porto defendeu bem. O problema é outro: a forma como estava recuado não para defender, mas para atacar. Uma vez mais, André André e Óliver Torres tiveram como maior raio de ação o meio-campo do FC Porto do que o do adversário. Perceber-se-ia se apenas um dos médios viesse atrás dar apoio a Danilo na saída de bola. Mas quando todos os nossos médios vão atrás da linha de meio-campo para começar a construir, algo vai mal.

Mais, o próprio Brahimi foi vítima dessa dinâmica. Brahimi foi o melhor em campo, mas foi também o jogador com mais perdas de bola, de longe. Porque muitas vezes ia receber a bola ainda com 45 metros de corredor pela frente, muito longe da baliza. Isso provoca mais desgaste em Brahimi, as probabilidades de perder a bola aumentam, e permite que o Belenenses tenha sempre tempo e espaço para se reorganizar defensivamente. Sobretudo a jogar em casa, não se percebe o porquê do FC Porto recuar tanto no momento de construção. Quanto mais metros ganharmos no terreno, mais próximos estaremos da baliza e maior capacidade Brahimi terá para resolver. 

Nervosismo (-) - Um filme já muitas vezes visto esta época: a bola parada libertou a equipa de um claro nervosismo e falta de ideias para atacar. E mesmo após o regresso dos balneários, a equipa continuou lenta, sem imprevisibilidade, presa de movimentos e extremamente dependente das subidas de Alex e Maxi para criar o desequilíbrio. Sim, desde do início da época que o FC Porto aposta muito nas subidas dos laterais para dar profundidade e provocar o momento de superioridade numérica. Mas quando não aparenta haver ideias para mais nada, é preocupante. Unidades como Óliver e André Silva vão ter que render mais no que resta da época, onde há não há apenas a pressão de vencer: há a pressão de saber que basta um deslize para tudo desabar.  

6 comentários:

  1. Nem vou comentar muito o jogo de sábado porque não faltarão, como é hábito aqui, aqueles que viram na TV e farão grandes considerações tecnico/táticas numa demonstração de grande sapiência futebolística.
    Apenas dizer que o principal objectivo foi cumprido, sem socos ou entradas rasteiras, ou ajudas arbitrais, ou ainda, sem a escandalosa compreenção e complacência do Presidente do Conselho de Disciplina, com uma exibição melhor que a do sujo rival, ontem, em Moreira de Cónegos.
    Braga é a seguir.

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  2. Também aqui o silêncio perante a farsa montada mantém-de, ou só se sai crítica (ainda que certeira) interna?
    Saudações Portistas!

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    1. Primeira e principal razão, falta de tempo nas últimas semanas.

      Mas os novos conteúdos do Porto Canal, em particular o Universo Porto, são tão bons que «poupam» o TdD ao trabalho que vinha fazendo desde 2014. E já não era sem tempo.

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    2. Verdade. O Universo Porto da Bancada está em grande, com o Francisco Marques à cabeça a fazer um excelente trabalho. Já se tornou meu programa de culto.

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    3. Esclarecido e reconfortado 🙂
      Saudações Portistas!

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  3. acho que o facto de o Brahimi não ter iniciado a época a titular deve-se à 'anterice' que afetou o FC Porto nessa fase menos boa.

    Vasquos

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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