quinta-feira, 2 de junho de 2016

38 passos para a transparência

Chegou o dia em que O Tribunal do Dragão tem um elogio para a Federação Portuguesa de Futebol. Na verdade, nem chega a ser um elogio, pois não está mais do que a cumprir a sua obrigação, mas tecnicamente, com as novas regras para intermediários de jogadores, cada empresário passaria a ter direito a receber apenas 3% de uma transferência ou 3% do contrato do jogador que intermediasse. Não é isso que se tem verificado na esmagadora maioria dos clubes. 

Com as novas regras da FIFA, todas as Federações passam a estar obrigadas a declarar a que intermediários os clubes pagaram por cada jogador. Só não estão discriminados os valores envolvidos por cada jogador. Era pedir muito, talvez.

De qualquer forma, a FPF já divulgou a lista, que compreende o primeiro ano em análise, de 1 de abril de 2015 a 31 de março de 2016. Mas aparentemente isto não foi notícia em nenhum órgão de comunicação social. Não era de interesse público? Sim, é. E por isso cá vai:


Sem surpresa, FC Porto e Benfica são os clubes que mais comissões pagam. O FC Porto é quem mais gasta, com 11,789M€, e o Benfica também supera os 10M€. O Sporting gastou quase um terço do FC Porto no mesmo período, com pouco mais de 4M€. 

Curiosamente, 9 jogadores apareceram no papel de outorgante, contratualizando um total de 65,8 mil euros em comissões. O mais conhecido é Coates, do Sporting.


Esta lista mostra relações entre jogadores e empresários que se desconheciam dos R&C das diversas SAD. No universo FC Porto, que é o que mais importa, destaca-se o facto de terem sido feitos 38 pagamentos diferentes a empresários que trataram de transferências ou renovações de contrato de jogadores do FC Porto.

Por ordem alfabética, Alexandre Zahavi foi o intermediário das renovações de Héctor Herrera e Bruno Costa, dos sub-19. Deco, que agora trabalha próximo de Jorge Mendes, foi o intermediário da renovação de João Graça, um dos melhores da equipa B. Tanto Zahavi como Deco são empresários já conhecidos, mas também surge a intervenção de nomes desconhecidos para o grande público.

É o caso de Ben Aissa Abdelaziz, o intermediário de Marega. Carlo Cutropia trouxe Casillas e a Cantera Latina intermediou Jesús Corona (um exemplo de informação que já se conhecia dos R&C do FC Porto). 

Carlos Gonçalves foi o responsável pela renovação de Gonçalo Paciência e pela vinda de Miguel Layún. Delmenico Maurizio, conhecido parceiro de Luciano D'Onofrio, trouxe Imbula. Edmund Chu, ligado à Vela (empresa do universo Doyen), foi o responsável por Chidozie e Chidera Ezeh. Confirma-se também a intervenção de Paco Casal por Maxi Pereira.

Frank Justin Trimboli, com este nome, só podia ter o intermediário de um jogador: Pablo Osvaldo. Frederico Mathias Moraes intermediou dois brasileiros: a venda de Kléber e a chegada de Ronan, para a equipa B.

Gines Carvajal Seller trouxe Alberto Bueno, Hélio Martins tratou da renovação de Andorinha e a Gopro Sport Management foi responsável pela compra de Víctor García. O empresário João Pedro Cardoso Araújo interveio na contratação de André André e na renovação de Diogo Leite, um dos campeões europeus de sub-17. 

Jorge António Berlanga Amaya esteve envolvido no negócio Gudiño e na contratação de Miguel Layún, ao qual também esteve associado Carlos Gonçalves. 

José Caldeira, além da já conhecida intervenção na renovação de Rúben Neves, também tratou da renovação de outro jovem da formação, Sérgio Ribeiro. José Pedro Silva Maia Pinho, da Energy Soccer (de Alexandre Pinto da Costa), surge aqui como intermediário na vinda de Fede Varela. Já Jussara Mary Silva Correia, da Onsoccer, tratou da renovação de Rafa Soares. 

Kevin Caruana foi o intermediário da vinda de Sérgio Oliveira e Luís Machado esteve encarregado da renovação de Silvestre Varela. Matías Bunge, muito ativo no mercado mexicano, também esteve a cargo do empréstimo de Ismael Díaz. Palmer-Brown, emprestado à equipa B, veio pela mão de Michael Gartland.

Mohamed Afzal, conhecido pela proximidade com Antero Henrique, intermediou a vinda de Aly Cissokho. Oliver Cabrega surge confirmado como o intermediário por Danilo Pereira. Paulo Duarte Dias intermediou Suk e Pedro Regufe trouxe Ayoub do Barcelona. A Proeleven recebeu uma comissão pela cedência de Josué ao Bursaspor. 

Curiosidade para a RAMP Management, que esteve envolvida na compra/renovação de Chidozie. Edmund Chu já tinha sido mencionado como intermediário de Chidozie. Confuso, até o próprio identificar-se nas redes sociais como sendo presidente... da RAMP. Ou seja, cobram comissão a empresa e o presidente. 

Ricardo Rivera também surge confirmado como tendo tido intervenção em Jesús Corona, tal como a Cantera Latina. A terminar, aparece em último lugar da lista a Vela, pela renovação de contrato com Brahimi. 

Uma lista por certo muito incompleta, mas que ajuda um pouco à transparência do nosso futebol, nomeadamente no mercado de transferências.

Para download da lista completa.

PS: Nuno Espírito Santo e a sua equipa técnica já foram confirmados e apresentados no FC Porto. Nada mais resta do que esperar pela pré-época. Até lá há um plantel para (re)construir e uma época para preparar. Não foram declarados objetivos concretos para os próximos 2 anos (ao contrário do que fez José Peseiro quando chegou em janeiro), o que até seria prematuro fazer, tendo em conta todo o trabalho que haverá a desenvolver nas próximas semanas. Como disse Nuno, «Porto é muito mais do que palavras», por isso feitas as apresentações e cerimónia dos habituais lugares-comuns, é tempo de trabalhar, pois agosto já será um mês de grandes decisões. Até lá, continuamos a análise ao plantel de 2015-16 e ao recém-publicado Relatório e Contas do 3º trimestre da SAD

7 comentários:

  1. ...veja lá se se actualiza e deixa de utilizar o termo "comissões", que dá um ar popularucho e rasteiro, para se expressar como outros: "custos operacionais de negocio". É mais fino e proporciona ilusão....vá lá!

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  2. Se possível quando falares sobre o R&C gostaria de perceber porque é que o Casillas não aparece como jogador do Fc Porto. Está apenas emprestado? É que até agora sempre se falou como sendo jogador do Porto...

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    1. Os jogadores contratados a «custo zero», de baixo custo e da formação por norma não aparecem na lista de ativos da SAD.

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    2. Obrigado, desconhecia tal facto.

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  3. A propósito do nosso R&C do 3º trimestre, realce para a bonita percentagem a que chegamos nos custos com a intermediação das compras (apenas compras) de jogadores: 23,5%!

    Ou seja, por cada €100 gastos na aquisição de jogadores, €23,50 foram para "remunerar" os intermediários. Bora lá ver quem chega primeiro aos 50%?

    Abraço portista,

    LAeB : Do Porto com Amor

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  4. Viva,

    Não sei se é a caixa de comenta'rios do artigo exacto para deixar informações a propo'sito duma emissão da France-Inter divulgada em "hora'rio Nobre" - ha' que lembrar que o ra'dio é o mi'dia com maior poder de alcance nos lares franceses - e onde o FC Porto é citado inu'meras vezes. Fica a informação.

    http://www.franceinter.fr/emission-lenquete-comment-les-joueurs-de-foot-sont-devenus-des-produits-financiers

    E Viva o Porto!

    Nuno PortoMaravilha

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