domingo, 22 de outubro de 2017

Entretanto, do outro lado do campo...

Depois de uma semana em que a baliza dominou as conversas portistas (compreensível, pois substituir o melhor guarda-redes da Liga por um guarda-redes que não está sequer entre os três melhores dos quadros do clube deixa toda a gente a coçar a cabeça), do outro lado do campo o FC Porto deu uma demonstração de força e assinou uma das melhores exibições da temporada, com um 6x1 ao Paços de Ferreira que não escandalizaria ninguém se tivesse acabado por ser um resultado mais gordo.


Sempre que o FC Porto somava 25 pontos à 9ª jornada foi campeão (foi assim com Villas-Boas, Jesualdo, Mourinho e Robson), e este já é, a par do FC Porto da primeira época de Vítor Pereira, o ataque mais concretizador dos últimos 60 anos. 

Dois bons indicadores de qualidade para uma equipa que, no que diz respeito ao consumo interno, não poderia estar a fazer melhor. Afinal, na época passada, por esta altura, o FC Porto já estava a cinco pontos do primeiro lugar, enquanto desta feita é líder isolado e incontestável. Sem nunca esquecer que basta uma jornada menos boa para arriscar perder este lugar. 




Ricardo Pereira (+) - Exibição absolutamente monstruosa de Ricardo Pereira, talvez a melhor que já fez pelo FC Porto. Entrou na partida a todo o gás, com um golo, e logo a seguir conseguiu isolar Felipe para o 2x1 com um passe de 40 metros; não satisfeito, serviu Marega para o 4x1 e só não conseguiu o hat-trick de assistências pois Brahimi não conseguiu aproveitar mais um passe de bandeja. Dinamizou todo o corredor, não cometeu erros na defesa (nem uma falta) e permitiu que Corona e Marega se preocupassem meramente com a zona interior, pois o flanco foi todo dele. Desculpem, Maxi e Layún, mas assim não há hipóteses.


Marega (+) - Colocou Aboubakar na zona de finalização com um subtil toque com o peito e partiu para uma boa exibição, coroada com dois golos. Esteve menos participativo no processo ofensivo da equipa (foi o jogador que menos tocou na bola), mas isso favoreceu-o, pois pôde preocupar-se sobretudo com os últimos 30 metros, onde conseguiu fazer a diferença - esteve mais duas vezes perto do golo, mas Mário Felgueiras defendeu. Uma exibição que deixa claro que quanto menos vezes e mais perto da grande área tocar na bola, melhor para Marega e melhor para a equipa. Sete golos no Campeonato já superam as melhores expetativas do seu rendimento, mas o melhor é que já deixa claro que a contagem não ficará por aqui. 

Corona e Brahimi, por dentro (+) - Ricardo Pereira foi o melhor em campo e, do outro lado, Alex Telles também fez uma bela exibição, quase sempre no meio-campo adversário. Isso permitiu a Corona e Brahimi serem mais participativos no jogo interior e, com isso, ajudar o FC Porto a superar os problemas de jogar com uma unidade a menos no meio-campo. Brahimi acertou todos os dribles que tentou (9/9), mas foi sobretudo na objetividade dos seus passes que se destacou. Criou três ocasiões de golo, todas elas em lances em que trocou o drible pelo passe. Bom ver que o FC Porto, desta vez, não dependeu dos movimentos individuais de Brahimi para criar várias jogadas de perigo.

As zonas de ação de Brahimi e Corona
Corona também conseguiu, enfim, uma boa exibição. Um golo, uma assistência, notáveis 93% de acerto no passe (foi o jogo em que perdeu menos bolas esta época) e um total de 13 ações defensivas, entre as quais oito recuperações de bola. O mexicano fez também ele o seu melhor jogo esta época, mas o grande desafio vem a seguir: ver Corona fazer dois bons jogos seguidos pelo FC Porto. Jogando sempre assim, não saía do 11. 

Prontos a finalizar (+) - Notável a forma como o FC Porto conseguiu, com um ou dois toques, colocar por diversas vezes jogadores em zonas de finalização. Isso contribuiu para a equipa fosse capaz de levar as suas jogadas até à grande área e quase nunca fosse necessário adornar os lances na procura de espaço ou apostar na meia distância (20 dos 22 remates aconteceram já dentro da grande área).

Já foi ferido o exemplo do toque de Marega, mas também a assistência de Aboubakar foi um bom exemplo, entre 11 jogadas de bola corrida em que o FC Porto colocou um jogador que só tinha a baliza (e o guarda-redes, que ajudou a manter o resultado em 6x1) pela frente. Destacam-se também as boas exibições de Felipe (dois golos, embora só um para a contagem) e Herrera (encheu o campo e foi o jogador com mais ações com bola).




Queima-roupa (-) - Talvez surpreendido pela pressão do Paços no primeiro quarto de hora, o FC Porto concedeu um golo que não pode acontecer: numa saída de bola. Marcano começa por fazer um passe demasiado tenso e já sob pressão para a zona central, para Aboubakar, que devolveu a bola a saltitar para Herrera; com a bola a pingar, o mexicano acabou por perder o lance e permitiu o contra-ataque do Paços. Marcano ainda cobriu o corredor central, mas Whelton surpreendeu no remate e José Sá escorregou quando se ia fazer à bola, fazendo os seus 1,92m parecerem demasiado curtos naquele lance. Foi um exemplo de algumas perdas de bola em corredor central, a única mancha numa exibição quase irrepreensível.

Segue-se a Taça da Liga, na qual não se recomenda outra coisa que não a utilização de jogadores das camadas jovens (e naturalmente dos menos utilizados do plantel, não esquecendo os regulamentos que obrigam à utilização de uma base substancial de habituais titulares).

6 comentários:

  1. Concordo em grande parte da análise feita contudo houve uma pequena abordagem que me deixou curioso:quem são os três guarda redes superiores a Sá?

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    1. Casillas, Fabiano, Vaná e talvez diogo Costa

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    2. Essa é uma pergunta que terá sempre várias respostas... tendo o clube nos quadros 7 guarda-redes será subjetivo escolher os 3 melhores: Casillas, José Sá, João Costa, Fabiano, Gudiño, Vaná e Bolat. Em termos de experiência/créditos talvez o Sá esteja ainda fora do pódio, considerando a contratação de Vaná e a boa época de Gudino na Holanda (e na Champions). Será essa a opinião do autor do texto?

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  2. Só destacar um lance em que o Marega vem em recuperação defensiva e faz um corte providencial a um jogador do Paços. Isto demonstra compromisso.

    Viena 87, saudações portistas

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  3. Boa noite, Tribunal do Dragão.

    Concordo, em tudo, com a análise feita sobre o jogo. Pessoalmente, acho que a exibição de Felipe merecia um pouco mais de destaque. Voltou a ser o nosso Xerife. Saiu com a bola controlada, jogou em antecipação e, excepto no lance do golo do Paços, onde devia ter fechado melhor o meio, esteve muitíssimo bem a nível defensivo. Ah, e o amarelo que levou foi escusado.

    Corona já contra o Portimonense fez um bom jogo, salvo erro, com duas assistências. Na Alemanha entrou bem, parecendo estar a subir de forma. Esperemos que assim seja e que exploda de uma vez por todas.

    Cumprimentos,
    BMF

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  4. Grande exibição, jogo pareceu fácil perante a dinamica da equipa. Boa resposta depois de Leipzig. Quando não se inventa, as probabilidades de sucesso aumenta.
    Só posso admitir a exclusão da titularidade de Iker pelo motivo que a imprensa espanhola adiante, necessidade de reduzir salário pois é de longe o melhor GR. E esse boato ganha força quando se vê maxi, também dos mais bem pagos, no banco mas aí sem tanto impacto pois Ricardo é melhor lateral da equipa.

    Acreditando que Iker terá de sair, faz sentido preparar a alternativa, mas nunca num jogo Champions, muito menos fora...
    José Sá até a data não mostrou o suficiente para ser aposta no 11, na minha opinião o Fabiano seria a aposta assim que tivesse apto, esse sim já mostrou qualidade e não fosse a tremideira de Munique ainda seria aposta.
    O Vana não conheço o suficiente para opinar.
    Entretanto Gudino parece mostrar finalmente o talento que tantos expectavam

    Neves

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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