quarta-feira, 15 de março de 2017

Vamos à décima!

Há dias em que o futebol tem lógica, e ontem foi mais um deles. No atual contexto competitivo entre as duas equipas, a Juventus provavelmente venceria oito ou nove de 10 eliminatórias contra o FC Porto. E para vencerem esta muito contribuíram as duas expulsões, que deixaram o FC Porto em inferioridade numérica em quase duas horas durante a eliminatória. Se já era difícil, assim...

É irónico que tenha sido também muito graças a isso que o FC Porto chegou à Liga dos Campeões - se duas expulsões é mau, imaginem três, como aconteceu com a Roma. Foi algo que foi sendo sempre esquecido ao longo desta época, inclusive quando muitos evocavam Roma como um exemplo de que o FC Porto poderia ser feliz em Turim. Se de facto tivessem acontecido as mesmas circunstâncias - duas expulsões para a Juventus, tipo Dani Alves e Dybala -, sim, talvez tivesse sido possível. 

Há que ser realista. Para quem não se recorda, a última vez que o FC Porto venceu num estádio de um antigo campeão europeu ou candidato à conquista da Champions foi em 2003, em Marselha. E qual foi a última vez que o FC Porto ganhou num estádio de um adversário do calibre da Juventus, da nata do futebol europeu? Provavelmente só em 1996, nos 3-2 de Milão. 

É por isso que o objetivo possível e assumido é sempre chegar aos oitavos-de-final - na fase de grupos temos mais jogos em casa, uma ou duas equipas teoricamente mais acessíveis, e isso permite ao FC Porto manter-se competitivo na Europa do futebol. Quando as equipas portuguesas são confrontadas com o patamar superior, neste momento, não há hipóteses. Muito menos numa época que muitos assumem como sendo de reconstrução para o FC Porto.

No final, o FC Porto sai da Champions com os objetivos cumpridos e de cabeça levantada. É bom lembrar que bastava a Roma não ter sofrido todas as expulsões e talvez nem teria sido possível chegar à Champions - nunca se saberá, pois são circunstâncias do jogo, às quais os adversários são sempre alheios. Mas que não podem ser esquecidas no balanço final. 

No que toca ao futebol praticado, não foi uma boa Champions. A única vitória verdadeiramente categória aconteceu contra os suplentes de um já apurado Leicester, os 5-0 no Dragão. De resto, o FC Porto teve dificuldades em impor o seu futebol, sobretudo porque na primeira metade da época a equipa não estava ao nível que vem demonstrando e consolidando nas últimas semanas. Provavelmente, hoje faríamos melhores jogos contra Brugge ou Copenhaga.

Nos jogos fora houve sempre dificuldades, inclusive em Roma antes de Layún ter feito o 2x0. Derrota em Leicester, vitória em Brugge com um penalty no último minuto, empate em Copenhaga. Mesmo em casa, empate ante o Copenhaga e vitória sofrida frente ao Brugge, já depois de um empate contra a Roma na primeira mão do play-off, desperdiçando uma hora a jogar contra 10. A exceção foram mesmo os 5-0 ao Leicester, que foi ao Dragão longe da máxima força. 

Se houve época em que o FC Porto praticou bom futebol na Europa, 2016-17 não foi uma delas, e não é a luta possível que foi dada em Turim que muda isso. Se o FC Porto quer ter mais aspirações na Europa, terá que assumir uma mudança de política desportiva.

Parabéns à Juventus, sempre melhor na eliminatória e sem nunca perder o controlo da mesma. E parabéns aos adeptos que puxaram sempre pelo moral da equipa, quer durante, quer depois do jogo. Perdemos, mas sem nunca dar nada por perdido. 

É difícil compreender como pode alguém ter aversão à receção que foi feita no aeroporto. Ninguém está ali a festejar a derrota em Turim ou o adeus à Champions: estão sim a puxar pela equipa para as 9 finais que faltam disputar esta época. O que se ouve é «Eu quero o Porto campeão». Não é sorrisos pelo aconteceu em Itália, é puxar pela equipa já a pensar no V. Setúbal. 

810 minutos e 27 pontos é o que separa o FC Porto do regresso aos títulos ou da garantia de que ninguém volta a festejar nada antes de 2018. Não há tempo para curar mágoas ou desilusões: é preciso vencer o V. Setúbal.



6 comentários:

  1. Esperava uma análise, ainda que compreenda que difícil, à exibição dos jogadores. Felipe pela primeira vez esta época encheu-me as medidas. Danilo e Brahimi são os únicos que estão preparados para este nível de exigência, todos os outros já não têm pedalada( Maxi, Iker) outros nunca lá chegarão tal como André André, Soares e André Silva. Penso que este jogo foi bom para valorizar alguns jogadores que podem ter mercado e gerar receitas no final de época e volto a referir os nomes de Danilo, equilibrou as forças no meio campo, duas excelentes arrancadas em condução e Brahimi é talvez o único que teria lugar no plantel da Juventus. É tentar novamente o empréstimo do Jota para o ano, ele não tem muita técnica, mas é uma excelente alternativa

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  2. O nosso objetivo nº1 de cada temporada é ser campeões nacionais e, desde logo, assegurarmos um lugar numa competição que nos pode garantir à roda de 25 milhões de euros se cumprirmos o "objetivo de sempre": chegar aos oitavos-de-final. Objetivo cumprido, dinheirinho em caixa.

    Neste momento, em que a nossa guerra é interromper um ciclo de maus resultados, claro que ninguém espera resultados importantes na europa. Mas também não precisamos de alinhar pela "mood" do regime, que já percebeu que não consegue por o seu clube favorito na "alta roda". Um dia lá estaremos novamente, nem que seja para repetir Dublin/2011 (que já lá vai bem longe). No FC Porto discutimos títulos, não pontos no ranking.

    Esta eliminatória servia sempre para permitir a esta equipa crescer mais um bocado: objetivo cumprido.

    A nossa ida ao aeroporto incomoda, porque mostra bem a forma como os adeptos estão com a equipa, e que querem ser campeões. Não temos culpa que os adeptos de outros clubes festejem nas bancadas um massacre de 0-4 e não repitam a dose no aeroporto. A nossa bitola e o nosso ritmo, não são eles a definir.

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  3. Gostaria de saber um guarda-redes tão bom entre os postes como o Iker. As saídas já são "tremidas", mas sempre o foram.

    Para render Maxi temos o Ricardo. Se a SAD não inventar, temos o problema resolvido. Na B/sub19 temos alternativa para suplente.

    Concordo com André André e Soares, embora sejam dois batalhadores (que também são precisos dentro de campo).

    André Silva...um miúdo que é um desgraçado em campo, sempre a procurar a bola. Penso que lhe falta mais conhecimento para preencher espaços e evitar correrias desnecessárias. Para mim, um craque que precisa ser lapidado e será muito bom (TdD gostava de ver aqueles gráficos sobre o posicionamento do ASilva).

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    1. O Ricardo pode permitir um bom encaixe financeiro, será preferível do que ele integrar o plantel. Victor Garcia e Dalot e Layun se ficar asseguram a posição

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    2. O Ricardo vai ser vendido porque esta direçao precisa de dinheiro como ar para respirar.

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  4. Sabe porque é que o Moretto esta dificil de renovar ?

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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