quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O fracasso é mútuo

Começando pela parte desportiva. A posição d'O Tribunal do Dragão em relação à Taça da Liga já é conhecida: uma Taça que deve ser destinada à promoção dos talentos da equipa B e como espaço competitivo para os suplentes. Mas a partir do momento em que o próprio FC Porto assume o objetivo de vencer esta Taça, é óbvio que a avaliação sobre o desempenho nesta competição tem que obedecer a critérios mais exigentes - sobretudo quando o treinador não abdica de apostar numa base de jogadores habitualmente titulares ao longo da competição. 

Posto isto, a participação do FC Porto na Taça da Liga voltou a ser um fracasso. Três jogos (dois em casa), apenas dois pontos e dois golos marcados, exibições cinzentas e que só revelaram qualidade a espaços - e quando a qualidade ia sobressaindo, um apito fazia questão de a inibir (já lá vamos). 

Este é o 10º ano de Taça da Liga. Já foi uma competição desvalorizada pelo FC Porto (na verdade começou a sê-lo devido aos maus resultados), mas nos últimos anos tem sido sempre comentada como sendo um objetivo para o clube (não obviamente uma prioridade, mas uma competição para vencer). E a verdade é esta: o FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga porque nunca foi suficientemente competente para o fazer. E era o troféu que mais hipóteses o FC Porto tinha de conquistar esta época, na medida em que a competição é curta e o formato altamente favorável para os grandes clubes. 

Ao longo destes 10 anos, o FC Porto ganhou menos de metade dos jogos que disputou na Taça da Liga. Tem uma média de golos marcados de 1,35/jogo (muito pobre, tendo em conta que joga contra adversários teoricamente inferiores), um golo sofrido por jogo, e nos últimos 7 jogos de Taça da Liga o FC Porto não ganhou nenhum e perdeu 5. Isto poderia ser relativizado se o FC Porto assumisse que a Taça da Liga serviria para colocar em cena as segundas linhas e a equipa B. Mas não, foi assumido que era para ganhar. E o desempenho nesta competição não está à altura dos pergaminhos do FC Porto. Isto transcende as prestações dos jogadores e de NES nos últimos três jogos. 

Em relação ao que se passou em Moreira de Cónegos, foi uma vez mais o produto dos internacionais de proveta. O Tribunal do Dragão, na sua modesta e pequena posição no Universo Porto, orgulha-se de ter sido um dos primeiros espaços (senão mesmo o primeiro) a denunciar que a promoção de jovens árbitros estava a ir contra os regulamentos da FIFA e que não augurava nada de bom ao FC Porto. Enquanto isto acontecia, os responsáveis do FC Porto andavam ocupados com temas bem mais importantes, certamente. Como por exemplo preocupar-se imenso com o que iam escrevendo os blogues.

A forma como Luís Godinho expulsa Danilo mostra que não há respeito pelo FC Porto, e que os árbitros se sentem impunes perante qualquer decisão que tomem em prejuízo do FC Porto. Danilo Pereira é um jogador à Porto, uma das referências do atual clube, e ainda assim Luís Godinho nem pestanejou na hora de puxar do cartão. Mas alguém acredita que há 20, 15, 10 anos atrás, um árbitro agiria da mesma maneira se se virasse e visse Jorge Costa, Aloísio ou João Pinto? Não se trata de intimidar. Trata-se de impor respeito. 

Era coisa para rir - tanto que Pinto da Costa riu mesmo - se não fosse um assunto tão sério. O FC Porto tem tomado posição através de algumas vozes críticas, mas nada muda na arbitragem nacional. A contagem dos 19 penaltys é por certo exagerada, mas todos os lances têm algo em comum: em caso de dúvida, assinala-se contra o FC Porto. Redes sociais não chegam. Note-se que até o jornal O Jogo escreve que Danilo foi expulso porque «reclamou atraso de bola» e «não conteve os protestos». Se fosse Fejsa, A Bola tinha capas para a semana inteira. 

Andamos há semanas a dizer que é tempo de dizer «basta». Dizer basta não muda nada, porque a voz do FC Porto não tem sido respeitada, ouvida e considerada nos últimos meses. NES, no final do jogo, tocou num tema importante: o de ter que convencer os jogadores de que o que eles vão fazer é mais importante do que a arbitragem. Pois isto derruba o moral de qualquer jogador, o de saber que estão em campo inclinado.

Há portistas que dizem que uma equipa à Porto supera qualquer erro de arbitragem. Não brinquem. Nenhuma, nenhuma equipa consegue jogar jogo após jogo sabendo que vai ter sempre decisões de arbitragem em seu prejuízo. É que não estamos a falar de um, dois ou três jogos. É semana após semana. E nada muda.


Qualquer discussão do ponto de vista tático soa a repetição (como sempre, bastou ganharem um pequeno ciclo de jogos - que era suposto o FC Porto ganhar! - para muitos se deixarem levar pela euforia, querendo ver crescimento e evolução no que eram serviços mínimos), por isso apenas nota para algo que NES tem que abandonar: o politicamente correto.

O que estas intervenções serenas, mansas e monocórdicas de NES vão demonstrando é uma preocupação de não querer associar em demasia a sua imagem à de uma defesa acérrima do FC Porto, sob pena de não encurtar as opções que possa ter para a sua carreira no futuro. Um treinador do FC Porto que esteja preocupado com a simpatia que vai ter da generalidade não tem sucesso, ponto. Se NES sente que os seus jogadores, o seu grupo de trabalho estão a ser lesados, tem que liderar o grito de revolta. A diferença na ousadia do discurso entre um guarda-redes em final de carreira e um treinador no início da mesma vão sendo demasiado grandes. Não esquecendo que não pode ser o treinador a tomar a posição que os dirigentes não tomam. Ninguém poderá terminar a época a afirmar «a culpa foi do NES». 

FC Porto novamente prejudicado, outra participação de péssima qualidade na Taça da Liga. Os maus resultados na Taça da Liga não podem beliscar o que vai acontecer no que resta do Campeonato, mas arbitragens como a de ontem - a começar pelo afastamento de Danilo de Paços de Ferreira - podem muito bem fazê-lo. Que vai o FC Porto fazer relativamente a isso, é a questão. 

Depois de 40 mil no Dragão, num jogo de Taça da Liga, e 28 mil adeptos num treino aberto, o FC Porto devia mais aos seus associados. Aqueles que precisam de algo mais do que memórias do passado, e que reconhecem que o amanhã do clube é mais importante do que o ontem.

16 comentários:

  1. Realmente a taça da Liga dá mesmo para refletir sobre os sucessivos insucessos.
    Há muitos anos a traz passamos a ideia que era uma taça que não tinha o mínimo interesse para nós.
    Sobre a taça da liga quer queiramos quer não nós perdemos somente por culpa nossa. Empatamos duas vezes em casa com equipas inferiores a nossa e temos a mania de fazer alterações porque ate parece que temos jogadores para trocar e ficar com a mesma qualidade em campo.
    Na minha opinião chega, chega de falar da arbitragem, joguem a bola, ponham a jogar os melhores e depois sim…. Estamos aqui para analisar.
    Há um jogo ou outro que podemos culpar o árbitro como o de Chaves por exemplo mas, podíamos ter feito muito mais. Olhem para o nosso orçamento e comparem com o Chaves, Belenenses e Feirense e ainda dava para somar mais equipas e não podemos admitir falar somente da arbitragem temos obrigação de fazer muito mais;
    Saudações portistas.

    ResponderEliminar
  2. Bem, sempre achei que tinha razão em praticamente tudo o que escreve. Mas vamos ser sinceros, não há equipa que resista a isto. Posso estar enganado, mas não tenho ideia de ver tanta coisa em tão pouco tempo (Vamos a meio da corrida!!!). Este ano farto-me de ver equipas da 2ª circular a jogar mal e porcamente, mas, como não são achincalhados, lá vem o golito, o penalty, um livre, uma mão que ajuda dentro ou fora da área e por aí fora.

    NES mete-me muito menos impressão do que um Herrera por exemplo. Pode-se dedicar muito, mas cheguei àquele ponto que um Mariano é um craque à beira deste mexicano. Uma coisa é um jogo correr mal, um lance um remate, sei lá. Outra, bem diferente é parecer um amador de todo o tamanho que é o que parece jogando sempre ou raramente jogando. Não vou falar de casos como o JCT, pois como não vejo os treinos, não sei o que se passa, mas estou em crer que tem a ver com a postura (é só um "se ponhamos").

    Há anos que sou defensor de que o FCP não devia ter descurado a formação. Tal como nunca fui na cantiga que um Depoitre, porque está habituado a jogar em estádios cheios e a competições europeias, vá ter mais "estaleca" do que um Gonçalo ou um Rui Pedro ou um meco qualquer do campo de treinos. Boly é outro que tal. Mas alguma vez um Verdasca é pior do que aquela coisa que dizem ser jogador? Não joga sempre? Não tem problema, treina com os melhores e faz um ou outro jogo. Rafa pior que José Angel? E já são muitos. O problema do FCP nos últimos vários anos, a meu ver, tem a ver com o populismo bacoco: comprar as vedetinhas (??) do momento e fingir que está tudo a melhorar e que "agora é que vai ser". Os mais atentos perceberam que o FCP como o conhecíamos acabou, totalmente, com o pos-AVB. Desde então que fomos andando com remendos e muita areia para cima de alguns. Até um dia FCP...e que seja rápido!

    PS - Metam os jogadores emprestados num sítio que eu cá sei...

    ResponderEliminar
  3. Até ver, parece me que a luta do Porto contra as arbitragens está a ter efeito contrário. Não está a intimidar ninguém nem a mudar nada nas arbitragens. Mas, em sentido oposto, os jogadores estão a sentir essa "guerra", ontem foi claro o descontrolo emocional na parte final

    ResponderEliminar
  4. "Era coisa para rir - tanto que Pinto da Costa riu mesmo - se não fosse um assunto tão sério.
    ...
    o amanhã do clube é mais importante do que o ontem."

    Portanto, talvez o meu comentário a anterior artigo vosso em que reclamava o seu "impechment" não tenha sido assim tão despropositado que não merecesse publicação.

    ResponderEliminar
  5. Depois da expulsão irrisória de Danilo, o caminho a percorrer seria o da direção ao balneário. Nada mais!

    ResponderEliminar
  6. pois fomos realmente roubados mais uma vez, so que nao jogamos nada tambem, o mesmo futebolsinho lento, cheio de passesinhos, pouca energia fisica, nao existe um cruzamento serio e com cabeça tendo na area um ponta de lança fisico, os mexicanos se lhes mostrarem os pitons uma vez ja nao jogam mais, laterais lentos, braihmi finta finta mas depois senao concretiza nao passa a bola, o golo deles foi uma falha do meio campo que se ficou, oliver e jota valem 20M segundo dizem mas jogam para 5M, com equipas aguerridas, a jogar na raça com esta velocidade de jogo nunca ganhamos nada, nao existe plano B como se percebe tendo um ponta de lança que precisa que a bola lhe chegue a bola nunca lhe chega porque nao existem cruzamentos, os cantos sao marcados em balao. O treinador e fraquinho, o porto hoje e falado pelos anos do presidente, pelas mulheres do presidente, pelo filho do presidente, o respeito pelo clube acabou porque desde a vitoria na uefa que o clube se aburguesou e adormeceu, depois nao ha duvidas que as arbitragens estao a ajudar e ajudam quase de forma cientifica os adversarios. SERA QUE E PRECISO FAZER COMO NO BASQUETE???

    ResponderEliminar
  7. AQUI VAI OUTRO EXEMPLO DE INCOMPETÊNCIA: http://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/porto/noticias/interior/erik-palmer-brown-vai-regressar-aos-estados-unidos-5586102.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

    ResponderEliminar
  8. Onde esteve o Porto aguando dos vouchers ou das malas?

    O sistemas está montado. Há uma série de Godinnhos, Motas e Verissimos para pelos menos 10 anos.


    Onde esteve o Porto?

    ResponderEliminar
  9. A expulsão do Danilo foi das coisas mais ridículas que já vi no futebol. Um arbitro vai a correr para trás sem olhar para onde vai, espeta-se contra um jogador, que claro reclama - eu também o faria. O árbitro sabendo disto e sabendo que o jogador já tem um amarelo, expulsa-o logo. Sem comentários.

    Quanto ao jogo, pobre, triste e vergonhoso. O Porto jogou pessimamente, sem extremos novamente (que é como joga pior). Metade da equipa a jogar por favor, sem esforço evidente, como é o caso do Herrera, Boly, Maxi, até o Oliver e o Corona, péssimos, displicentes e sem atitude. Depois, jogar com Depoitre que apenas é bom no jogo aéreo, sem ter extremos ou laterais a cruzar para a área, é de génio! Depois claro que o homem é um tronco, não conseguem rentabilizar a única coisa que ele tem de bom.

    Competição mal abordada, mal gerida e claro está com maus resultados (7 jogos sem ganhar é surreal). E o Porto não jogou para evoluir jogadores ou rodar a B, jogou com grande parte dos titulares, 2 jogos em casa e mesmo assim com péssimos resultados frente a adversários modestos.

    Não sei mesmo o que é mais preciso fazer para darmos a volta, mas esta sina durará mais uns anos certamente e pelo menos até o atual presidente se retirar. É necessário mudar de cima para baixo. Primeiro a direção (TODA), depois a estrutura técnica de futebol, e só no fim os jogadores. Acho sinceramente que temos alguns bons jogadores e alguns com grande potencial de evolução e portugues, como são os casos do José Sá, Ricardo Pereira, Ruben Neves, Danilo, André Silva, Diogo J. e outros estrangeiros na mesma onda como o Alex Telles, Oliver, Corona por exemplo. Apenas precisam ter uma estrutura coesa por trás, que não tem sido o caso.

    Por fim só comentar o discurso do Somos Porto do NES quando era GR do Porto. Pôs mais emoção e demonstrou mais garra nesses 5 min do que toda a época como treinador. É desse NES que precisamos como incentivador e como grito de revolta de fora para dentro do balneário.

    ResponderEliminar
  10. Temos sido muito prejudicados pela arbitragem, mas esse sentimento de impunidade dos árbitros escuda-se essencialmente nas más exibições do Porto. Os árbitros sentem que podem prejudicar o Porto porque sabem que depois do jogo a opinião pública vai ser unânime: «o Porto está a justificar-se com as arbitragens para ocultar a sua própria incapacidade». E a verdade é que o «post» anterior a este tem como título «Revolta à Porto» por causa de um jogo em que o Porto superou os erros de arbitragem. Se o Porto jogasse mais vezes assim os árbitros ganhavam respeitinho, porque qualquer arbitragem tendenciosa ficaria muito mais exposta e o árbitro conotado com uma péssima arbitragem. O Porto tem dado muitos tiros nos pés, auto-fragilizando-se. Os árbitros só estão a aproveitar a onda.

    ResponderEliminar
  11. Há uma coisa que me intriga: imaginem que o Porto tinha pontos suficientes para garantir o segundo lugar, o que aconteceria se o Porto optasse por não comparecer no resto dos jogos em forma de protesto? É que falar não vai resolver nada, é preciso medidas drásticas a sério. Eu até gostava é que fizessemos isso depois de garantir a manutenção, mas obviamente o Porto também é um negócio, e isso é impossível.
    Uma vez ou outra ganhar mesmo contra as arbitragens sabe bem, mas neste momento tudo isto me mete é nojo e tira vontade de continuar a ir ver os jogos...

    ResponderEliminar
  12. Dizer apenas que continuo sem conseguir encontrar a equipa que empatou com o Benfica no Dragão mas que deu banho de bola a todos os níveis.. Os jogadores são os mesmos, o treinador também, mas NUNCA MAIS vi a equipa jogar assim. Se alguém tiver explicação, que me diga por favor porque não consigo compreender de todo como é possível

    ResponderEliminar
  13. Sou Sportinguista e actualmente, Porto e Sporting sofrem com a Benfiquização do Futebol Português. É pena que não exista uma união para mudarmos este futebol. Porque sozinhos, o slb faz o que quer. a

    Apesar de eu não gostar do FC Porto por ser rival, e de eu obviamente não desejar sorte ao Porto nas competições nacionais, os clubes deviam ter a capacidade para se juntar e mudar as coisas para TODOS. Porque de momento, só há um que ganha: slb.

    ResponderEliminar
  14. Gostava de deixar uma recomendação a todos os portistas:

    Na crónica do jogo com o Moreirense, no jornal público o único elemento que teve nota negativa foi o Danilo, com o seguinte texto a justificá-lo:


    "A expulsão do internacional português deixou o FC Porto totalmente exposto numa fase em que se exigia concentração absoluta"

    Isto não pode passar incólume. Eu não sou grande fã de redes sociais, mas vou enviar um mail à redação do público a exigir um pedido de desculpas aos seus leitores, e outro à abécula que escreveu isso a perguntar como se sente por ser uma nódoa na sua profissão.

    Aqui têm o link com a crónica:

    https://www.publico.pt/2017/01/03/desporto/noticia/moreirense-apurado-fc-porto-fora-da-taca-da-liga-1757035

    o mail do rastejante que escreveu isso é augusto.bernardino@publico.pt

    eu contactei a secção do Porto do público a perguntar qual seria a melhor maneira para efetuar a minha queixa para com o jornal. Recusaram-se a dar-mo, endereçaram-me para o número de Lisboa, que está sempre impedido. Decidi enviar mail nas cartas ao diretor, que
    é o seguinte:

    augusto.bernardino@publico.pt

    Eu escolhi este meio, mas acho que qualquer um é válido. É preciso entupir esta gente com queixa até eles terem a decência de tratarem os seus leitores com um mínimo de respeito.

    Eu gosto de pensar no futebol como uma espécie de algodão jornalístico: é uma área onde é bastante fácil ver quão comprometido com a verdade um certo orgão está. Claramente a imprensa portuguesa falha toda redondamente.

    Abraços portistas,

    Jaime

    ResponderEliminar

De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

Quem confundir liberdade de expressão com injúria, insulto, mentira ou difamação não passará pelo lápis azul. Todo o spam será apagado. Comentários anónimos são susceptíveis de não serem publicados. Nicknames são permitidos.